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 EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!

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B.K.
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MensagemAssunto: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sex 11 Mar - 15:53

Desconsidere as mancadas, ainda estamos no começo.


Onde antes havia os pedaços esfacelados de país chamado Brasil, hoje imperam cidades-estado.
A maior delas chama-se Aurora.
Na cidade-estado de Aurora, na rua das Rosas, quase esquina com a rua dos Jacintos, número 120, bairro Morada do Sol, existe a “Casa Alcântara”.
A “Casa Alcântara” é uma construção de dois andares, meio que na cor do creme-de-leite, num estilo antigo mas que se faz presente em praticamente toda cidade: na parte de baixo, há o comércio. Na parte de cima, residência, mais o sótão arejado por janelinhas basculantes. E, lá atrás, um mini-sítio com árvores, arbustos e animais de pequeno porte.
Na lateral esquerda da casa, uma passagem de frente gradeada, calçada em terra batida que, de tão gasta pelo transporte, formou sulcos, com grama no meio, até cair na frente de pedra rebaixada. A caixa de inspeção e retirada da fossa séptica estava firme, coberta, quase que imperceptível.
Na entrada principal da “Casa Alcântara”, há um portal estilizado onde range, no alto, uma placa de metal com o nome da empresa, mais um relógio piezoelétrico cujos ponteiros pareciam ser pesados demais para se moverem. Quando escurecia, o relógio acendia-se num tom branco-amarelado. Dava pra ver os sulcos de ferrugem sobre o mostrador, como o suor de um tempo que custava a passar.
A “Casa Alcântara” é uma quitanda com aspirações de armarinho.
Na frente de quem entra, depois das duas pesadas portas altas e verdes, ficam os legumes: batatas, tomates, alfaces, cenouras, abobrinhas e o xuxu. À direita, as sacas com feijão fradinho, feijão carioquinha, feijão preto e branco, as sacas menores, feitas de tecido de sizal branco com milho, arroz, grão-de-bico. Esse é o que sobrou do estoque de ontem, o movimento leva isso tudo embora depressa.
Ali a esquerda, desavergonhadamente a lamber suas partes íntimas, está o gato da casa, Sherlock, como se fosse um indigno imperador dos felinos, uma bola de pelo preguiçosa e cinzenta, nem sempre destemido atacante dos ratos invasores.
Dali para lá ficam as botijas os vinhos e azeites, com algumas garrafas vazias e sem rótulo em destaque, e dois barris fortes e estufados onde canecas de degustação aguardavam ser utilizadas sobre pratos de porcelana. Ao lado, nas prateleiras, os ovos frescos de galinha, patas e codornas em cestinhas de metal trançado, mais os potes de vidro com cogumelos, pepinos, salsichas e cebolinhas.
Naquele lado estão as carnes secas em grandes pedaços, os embutidos “magros”, carne-de-sol, as compotas, as frutas desidratadas, os temperos. Muito, mas muito tempero, vendidos, trocados ou doados em saquinhos de papel, em barras, moídos ou in natura para moer depois. As pimentas são colocadas a parte em moenda manual própria, senão contaminam as demais especiarias, pois são muito ardidas.
Ali estão os enlatados e embutidos “gordos” como fiambres, salsichas, presunto, salame, costelinhas. Pode-se ver algumas latas de banha e gordura vegetal, ao lado das latas de azeite de oliva e óleo de girassol.
Ao lado dos vinhos tintos e rosés, os queijos salgados e doces embalados em papel escuro, latas de madeira com catupiri e grandes fatias triangulares de queijo ligeiramente mofado ou com veias verdes.
Você já está sentindo o cheiro do lugar, não é?
No balcão de madeira prensada e parecendo ser mais velho do que realmente era, o baleiro de três andares quase não fechava suas nove tampas de tanto doce: pastilhas coloridas, chapinhas brilhantes, palitos de açúcar, balas de goma, geléias duras coladas em brinquedos, pirulitos, puxa-puxa, balas toffe, cartinhas de baralho feitas de chiclete de morango e uva do Capitão Brazil, moedas de cristal picante e achocolatados rígidos.
Debaixo do baleiro estão os chocolates em barra, em pó, pretos meio amargos, brancos e ao leite. O cheiro nessa parte é mais enebriante que o resto do lugar, aqui o ar quase que é cortado com o dedo de tanto que tem açúcar.
Na frente, debaixo do balcão, um cartaz amarelado de enaltecimento a Guilda com soldados prestando continência à bandeira de Aurora. Esse cartaz estava aí desde que a loja foi construída. Resistiu bem à passagem do tempo por ter suas estampas decalcadas sobre uma folha de alumínio.
O tampo do balcão possui janelas que exibem gavetas forradas com papel de seda branco. Dentro das gavetas, biscoitos recheados de creme de coco, amanteigados, marias-moles, bolinhos de milho, bom-bocados, bolachas de água e sal, quindins, fatias de bolo frapé, pudim de leite e de côco, salgadinhos de presunto ou bacon, amendoím salgado de cebola, alho e descascado, coxinhas doces de creme com mel, morango ou chantily. Ah, e muitas geléias de frutas em potes de vidro.
Esse menino treinando caligrafia é o Pedro. Já voltamos nele.
Ao lado do Pedro, os pães franceses (quase não tinha nenhum pois não saiu uma nova fornada, só mais tarde), as bisnaguinhas de leite e as baguetes de queijo.
Debaixo do balcão, litros deitados na gaveta refrigerada: leite de vaca e de cabra, junto com as manteigas em barra com e sem sal, fermentos biológicos, queijo fresco e os iogurtes.
Debaixo e ao lado do Pedro estão as munições de uso pessoal e de caça. Balas de baixo e alto impacto nos calibre .32, .38 e .45 em suas respectivas embalagens para rápido carregamento, cinco tipos de pistolas novas e lubrificadas, ainda na caixa, dois rifles e uma escopeta. Os punhais em aço ficam numa divisória. Lá em cima, preso ao teto, a única espada da casa, um sabre protegido por lona e plástico. Mal se dá para ve-lo daqui de baixo, nem com todas as lâmpadas fluorecentes acesas.
Naquele canto, a passagem para dentro da casa e um banheiro.
Ali, o começo do depósito que vai até se perder no escuro.
Nesta porta se sai para a lateral da casa e, ao lado dela, os materiais de limpeza como vassouras, rodinhos, esfregões, detergentes, panos e suprimentos para manutenção como tampo de privada, caixa de descarga, desentupidor, ferramentas como martelos, serrotes e serrinhas, juntas de canos, colas e latas empilhadas de cera. Lá no alto, os canos compridos de plástico, cobre e alumínio.
Quando você coloca a cabeça para fora dessa porta lateral, se olhar à esquerda, vê a rua das Rosas. Que tem esse nome porque, obviamente, possui roseiras (amarelas, vermelhas, brancas e azuis) no canteiro central. Nos muros, vasos e mais vasos de lata, barro e xaxim, terrários e entradas nos tijolos com mais ervas e plantinhas do que seria possível contar. Do meio do corredor em diante, flores em vasos, mudas de jacintos, margaridinhas, gira-sóis, botões coloridos, soiszinhos em ramos, estrelas roxas, azuis, vermelhas e, naturalmente, muitas rosas para enfeitar e alegrar a vida de quem quisesse uma mudinha.
Na frente, o muro divisório entre a “Casa Alcântara” e o terreno onde está a pracinha de treinamento e esportes da comunidade.
À direita, você vê o “bosque” da “Casa Alcântara”, com árvores como laranjeiras, goiabeiras (uma que dá goiaba branca, outra que dá goiaba vermelha), uma jaboticabeira, jaqueira, pé de amora e outras centenas de vasos com plantas medicinais. Sem esquecer os cogumelos debaixo das árvores e no terrário.
Também se vêem os galinheiros (ouviu o galo caipira cantar?), o ambiente das codornas apitadoras, e um curioso papagaio verde e amarelo, tagarela, mais manso que o Sherlock, andando por um poleiro comprido pela lateral da casa e que vem até aqui, na loja. Seu ninho é na curva, dentro da cozinha, mas ele já foi encontrado fazendo um pernoite com as galinhas. E lhe aviso que se você o encarar, certamente ele vai olhar de volta.
O chão da loja é firmado sobre tacos grandes e firmes, com o teto no céu escuro e marrom, com as mais variadas coisas dependuradas: cadarços, cordas, varas de pesca, redes, dois caiaques, remos, lonas e mantas, arpões, varas para colher jaboticaba, acho que estou vendo um berimbau daqui...
Réstias de alho, violões de brinquedo rústicos, espingardas de chumbinho, armadilhas, as luminárias da casa com ventiladores duplos em cada ponta, chinelos de borracha natural, sapatos, botas, facões, sabão em corda.
O cheiro do lugar é tão variado e picante, ácido e doce, forte e pungente, quanto entrar na mata após uma tempestade de mundos.

Já passa do almoço. Se tivéssemos chegado cedo, teríamos visto o Pedro, aquele menino ali do balcão, dando um duro danado.
Depois de acordar e se cuidar, beijar o pai e a irmã, ele comeu um bife bem passado com ovo, enrolados no pão de banana e bebeu quase um litro de groselha. Só L\'os sabe como ele não engorda...
Então, Pedro ajudou seu pai a cuidar de assar os pães, colheu o leite da cabra, levou os pães prontos para a loja e foi abriu as portas do estabelecimento.
Depois, passou vassoura no chão, esvaziou os cestos de lixo, catalogou os ítens faltantes, substitui as mercadorias, despediu-se de seu pai que saiu com a caminhonete, com a irmã indo fazer entregas, e atendeu a freguesia que já formava fila.
Já mais sossegado, treinava caligrafia, seguindo as instruções de um dos manuais que seu pai colecionava.
Praticamente todos os dias são assim pois Pedro não ia à escola. Nem ele e nem nenhuma criança pois todos aprendem em casa, com os pais, com os parentes, amigos e com a comunidade.
Cansativo? Certamente.
Rotineiro? Nem um pouco.
Porque o segredo da ausência de tédio está justamente na freguesia.

— Boa tarde, Pedrinho! — disse o senhor de idade avançada e de pele escura feito carvão. Subiu os degraus com dificuldade, os sapatos gastos e que outrora foram pretos. Pedro, de ouvido aceso, já sabia, pelos passos, que alguém chegava e parou de escrever. Esticou a cabeça por cima do balcão e, ao ver quem era, respondeu de lá:
— Boa tarde, seu Osvaldo! Já vou lhe atender. — guardou o caderno, limpou a pena num lenço e o nanquim na gaveta do canto, desceu do banco, o que o deixou quase que com o peito na altura do balcão, voltou um pouco para trás... E pulou sobre ele como se fosse um gato.
Pedro era branco feito papel, meio sardento debaixo dos olhos e com cabelo curto, loiro e espetado feito ouro polido por um ventilador. Tinha olhos igualmente leitosos e verdes, meio tristes, mas uma expressão divertida, marota. Acho que era por causa de seu nariz. Ele não gostava de seu nariz, apesar de não ter nada demais nele.
Descalço, magrinho, vestia um short listrado e uma camiseta branca. Nos bolsos, coisas da loja, anotações, contas. Na orelha um lápis. Carregava do lado direito da cintura um belo punhal guardado numa baínha de couro preta.
Recebeu o senhor negro de cabelos de neve com reverência e uma continência, que o saudou dizendo...
— ‘tarde, ‘tarde, b’as tarde!
— Boa tarde, seu Osvaldo! Tudo bem com o senhor?
— Tudo, Pedrinho, tudo. E com você, tudo certo?
— Tudo certo, tudo certo, sim senhor. Em que posso ajuda-lo?
Seu Osvaldo lhe esticou um pedaço de papel com os dedos grossos e calosos.
— Aqui... Minha neta me pediu para buscar isto...
— Hmm... Sim senhor, seu Osvaldo. Vou pegar para o senhor. Quer um café? Fiz agora mesmo. — e apontou para o balcão.
— Ah, meu filho, quero sim. Nego véio nunca recusa café!
— Sim, senhor! — em dois pulos, Pedro foi para o lado de lá do balcão, pegou um bule de metal e serviu ao cliente o café numa caneca de barro. — Já está adoçado.
O senhor puxou os suspensórios, pegou do café, bebeu e estalou os lábios.
— Ah, que café bom, Pedrinho!
— Gentileza do senhor. É da casa. Torrado e moído aqui. O senhor quer uma garrafa?
— Não precisa. Só o pó está bom. Eu faço café lá em casa. Junta então meio-quilo desse pó de café junto e uns bolinhos de milho.
— Já está juntado, seu Osvaldo. — e colocou no balcão um pacote de papel branco. — Eu vou pegar o chá de erva-cidreira aqui... — dobrou os joelhos e deu um pulo de quase seis metros adiante, passando entre coisas e lousas. Pegou o que queria e voltou ao mesmo lugar, apenas trocando de pés. — Ah, pronto. Um, dois, três, quatro... Cinco ítens, mais o pó de café. Também coloquei quatro cigarros indígenas.
— Ah, não pode faltar cigarro indígena. Não pode faltar mesmo! Esses índios sabem o que é bom!
— Sabem mesmo.
O homem cheirou o cigarro, quase sumindo debaixo de seu grande nariz.
— E esse está de primeira. A gente fez a poda da erva na lua cheia. Fumo muito bom, sem raízes e nem folhas, só flores. Alivia o pensamento e acalma o coração. — disse Pedro, ensaiando sua fala de vendedor de cigarros.
— Que beleza! Que beleza! — o homem olhou para o menino. — E pensar que te vi destamanhinho... — comentou seu Osvaldo, medindo o vazio com a mão. Seus olhos avermelhados e espremidos sumiam quando ele abria um sorriso imenso, enquanto coçava os cabelos ralos. Bebeu mais um pouco do café. — Agora está aí, homem de tudo... Já foi colar grau na Academia?
— Ainda não, senhor. Só quando eu fizer quatorze anos. Eu só tenho treze. Que nem minha irmã.
— Então você e ela são soldadinhos de tudo? — perguntou ele, surpreso na cordialidade. Pedro riu.
— Soldadinhos sim, senhor. Não temos patente ainda, não. — esse era um assunto que sempre fazia o menino feliz. — O senhor é de qual patente?
— Ih, mininu! Eu sou tenente de artilharia. Estou na reserva faz tempo, acho que já tem uns 20, 30 anos que estou no quartel domiciliar... — o senhor riu e se apoiou no balcão, decerto a lembrança era pesada demais para ser evocada. Queria dizer algo para impressionar o menino e, ao mesmo tempo, evocar tempos outros em que se sentia mais útil. — Você conhece aquela... Aquela garrucha elétrica? Aquela maior, com a bateria aqui em baixo? — e gesticulou como se segurasse e recarregasse uma vassoura invisível.
— Conheço sim, senhor. — Pedro pensou em dizer o modelo da arma mas não queria ferir os brios do velho tenente.
— A Trovão de Fogo! Essa, essa mesmo. Eu cuidava da manutenção delas. Cuidava dos primeiros modelos. Naquela época, ela não tinha resguardo contra a rebarba da fuga do capacitor principal. Então...
— Ai!
— Pois é, era triste. Mas a gente consertou isso, mas depois o modelo foi aposentado. Eu tenho uma lá em casa, desativada. Depois passa lá que eu te mostro, está bem?
— Está bem, seu Osvaldo. — agradeceu Pedro, polidamente. O homem terminou o café e colocou o copo no balcão.
— Quanto eu lhe devo? — Pedro contava com o pensamento, enquanto guardava os pedidos na sacola de lona que seu Osvaldo lhe passou.
— Seria um cruzeiro e 20 centavos.
— Seri... Seria?
— Seria sim, senhor. Mas a sua neta já pagou as despesas do semestre.
— Já?
— Já sim, então o senhor não precisa se preocupar, não.
— Nossa! Você sabe isso de cabeça? Digo, os valores, os dias, as pessoas...
— Sei sim, senhor. Eu que cuido da administração da casa.
— Menino esperto que você é... Menino esperto! E eu te vi pequenino assim... — e se voltou para a saída qual uma montanha cansada, carregando a sacola. — Mande lembranças para o seu pai.
— Mandarei sim, senhor. Mas já vai? Tome mais um café.
— Já vou, já vou. Quero relaxar nesta tarde ouvindo rádio e fumando. Mais tarde eu vou tocar no clube da comunidade. Preciso estar descansado e com as energias repostas.
— Como o senhor quiser, seu Osvaldo. Obrigado pela visita.
— Obrigado pelo café, Pedrinho.
— Volte sempre!
O homem foi saindo meio que arrastando os pés, perdido em suas lembranças. Pedro o acompanhou até a saída, lhe oferecendo o braço para ajudar na descida.
Prestou continência ao homem, que retribuiu igualmente.

Pedro ia voltar para dentro da loja quando parou no último degrau. Voltou-se para a rua e olhou por entre as árvores, para o céu azul forte e de núvens suaves, rabiscadas.
A essa hora não havia trânsito de bondes, litorinas ou carros de manutenção. Os trilhos reluziam, prateados, de tanto uso, encravados entre as pedras, dormentes ou asfalto. Os postes de metal preto traziam lâmpadas apagadas em suas pontas em forma de figo onde, bem na ponta. O vento forte empurrava as folhas das palmeiras, assustando as maritacas.
Mas é nessa parte do dia é que costumam vir as pessoas diferentes.
E veio mais uma.

Pedro já havia visto um Homem de Prata. Foi num exemplar da “Revista do Detetive”, uma de suas muitas profissões preferidas. Nela ele leu a história de um tal de Jormin-Jor. Nome esquisito, como convém a todos os Homens de Prata.
Os Homens de Prata começaram a aparecer (literalmente) pela cidade logo que foram instalados os primeiros geradores. Jormin-Jor era seu líder e, segundoa revista, um ser cordial e respeitador dos direitos dos seres humanos. Em sua maioria, de acordo com o que dizia a revista, os Homens de Prata são viajantes inofensivos, que passeiam pelos mundos por motivos que só eles sabem quais seriam. O pessoal mais conservador os chamam de “Vagabundos dos Limbos” mas Pedro não sabia bem o porquê da palavra “limbo”.
A Guilda dos Militares que governa Aurora, ainda segundo a revista, fez um acordo com os Homens de Prata, lhes dando livre-passagem em troca de tecnologia e conhecimento. Por serem remanejadores da matéria devido aos seus dons mentais de interação física, os Homens de Prata contribuiram para a estabilidade social e econômica de Aurora ao construirem nossas fábricas mais depressa do que qualquer empreiteira.
E ali vinha vindo um Homem de Prata em seu traje de celofane prateado. Pedro achava aquele visual feio demais, mesmo que já tenha estado na moda e aparecido em seriados de TV. Mas lhe foi ensinado a guardar certas opiniões para si.
O Homem de Prata não veio andando pela rua das Rosas. Eles não andam. Parecem que andam mas... Não. Eles entram em foco em nosso olhar, se fazem ser vistos e só os sensitivos avançados é que podem capta-los antes de se fazerem presentes (tanto que, antigamente, eram confundidos com fantasmas, aparições ou os famosos “espíritos zombeteiros” dos Espíritas).
Esse Homem de Prata era igualzinho ao seu predecessor Jormin-Jor: alto, deveria ter quase dois metros de altura. Ombros largos, rosto retangular, branco, europeu. Os cabelos pretos pareciam estar penteados com brilhantina. Pareciam, pois não se sabe ao certo a aparência de um Homem de Prata já que ele só mostra o que quer exibir.
Curioso mas escondendo seu interesse, Pedro deixou o “homem” chegar-se ao seu estabelecimento. A névoa de imagem já estava concretizada definitivamente num homem prateado, que parou na frente do menino.
— ¿Loja — perguntou o Homem de Prata, na linguagem de sinais universais. Esta linguagem é uma necessidade básica de todo cidadão de Aurora, já que nem todos os seres humanos falam inglês, português ou mesmo usam a voz para se comunicar. Usando de seu treinamento, Pedro concluiu, pelos gestos sofisticados e bem construídos, que aquele Homem de Prata era culto. Ainda bem que ele não falava Esperanto. — ¿Aqui ¿Loja
— .Loja, aqui, sim ¿Servir-você-posso-eu — mesmo no alto do terceiro degrau de seu estabelecimento, Pedro mal passava a cintura do Estranho.
— .Plantas-remédio-pequenas-preciso ¿Escolher-posso
— .Feliz-servir-estou .Acompanhar
— .Sim
Pedro encaminhou o Homem de Prata pela passagem lateral da casa. Ali, na grande parede e pelos vasos, o freguês olhava mecanicamente para os vegetais.
Pedro gentilmente lhe chamou a atenção:
— ¿Necessitar-ajuda ¿Posso-escolher-planta-especial
— .Interação-aceita — Pedro se esfoçou para lembrar os gestos corretos. Ainda bem que não precisou falar seu próprio nome...
— .Especificar-necessidade-tipo
O estranho abaixou a cabeça e olhou para Pedro com os olhos castanhos duros de tubarão. Era um homem na aparência, uma casca de homem mas, debaixo daquela cara, havia um alienígena que nem planeta de origem tinha. Quantos anos teria? Qual seria seu lugar de origem, seus pais, irmãos ou será que ele teria algo assim? E como é que a Guilda permitia que essa gente... Ah, sim, eles eram úteis.
Ao piscar, Pedro ouvia dele um suave “plic”.
— .Mostrar — e o Estranho lhe mostrou as costas da mão direita enluvada por prata. O “tecido” de sua “roupa” formou um desenho. Era uma planta pequena, de folhas menores ainda, verde forte e comprida. Pedro pensou, pensou...
— ¡Saber .Vir-comigo
Pedro o levou para uma jardineira no chão. Afastou os galhos de pari-paroba e arbustos de comigo-ninguém-pode e puxou, bem da terra preta, um galhinho de mentruz. Mostrou-o para o Homem de Prata.
— ¿Este-ser
— .Este-ser.
— ¿Precisar-quanto-quantidade
— .Isso-assim-tudo
— .Poder-pegar-mais
— .Suficiente .Planta-saudável-cuidada
— ¿Suficiente-pequeno-isto
— .Suficiente ¿Pagar
Pedro levantou os ombros.
— .Não-pagar
— ¿Não .Este-querer-pagar
— .Minha-casa-não-pagar-alimento-fresco .Alimento-energia-vida .Vida-importante-tudo
O Homem de Prata concordou. Ou pareceu que concordava.
Deu-lhe a planta que, tal qual o sujeito, saiu de foco, logo que pousou em sua mão. Ele limpou a mão do pouco de terra que sobrou.
Pedro o acompanhou para a calçada e lhe disse:
— .Voltar-sempre-precisar
— .Momento-esperar
— .Esperar ¿Algo-quer
O Homem de Prata apontou para o lado. Parecia que, entre as frestas da parede da “Casa Alcântara”, alguma coisa de metal chegava à Realidade. Instintivamente, Pedro levou sua mão ao seu punhal.
Entre um suspiro e uma piscada, na frente dele, estava uma versão menor do Homem de Prata. Um menino prateado mas que, diferente de seu “pai”, tinha os cabelos ausentes.
Surpreso, Pedro comentou, lembrando das aulas de linguagem de sinais:
— ¿Parte-menor-seu
— .Parte-menor-eu .Parte-menor-curioso-você .Parte-menor-olá
O menino careca tinha a pele fina, artificial, como se fosse feito de borracha. Não tinha orelhas e seu nariz não tinha buracos. Vai ver ainda não sabia como faze-los.
Olhou para sua parte maior.
— ¿Doce— perguntou-lhe Pedro, puxando do bolso uma bala de morango. O menino, sem olhar para o que lhe era oferecido, tocou a bala com o dedo menor. A bala foi absorvida.
Imediatamente, o menino saiu de foco, junto de seu “pai”, desaparecendo os dois no ar... Ou fazendo aquilo que os Homem de Prata fazem para se moverem.
— Mais um cliente satisfeito... Eu acho. — murmurou em pensamento Pedro, esfregando as mãos e rapidamente entrando em sua loja, pois o telefone tocava. E o telefone da loja não apenas toca: faz escândalo, senão ele não se faz ouvir.
Pedro arrastou um banquinho para ficar debaixo do telefone, um praticamente caixote de madeira com sinos e dois bocais. Subiu, puxou o fone e já pegou a caneta dependurada por um barbante, descendo a mão sobre o bloco de anotações debaixo do bocal.
— Casa Alcântara, bom dia? — informou ele, prestativo, ao bocal do aparelho. Era o seu Felipe, morador a duas quadras dali, informando que tinha alguns lotes de mercadorias para troca. Pedro pediu para ele aguardar um momento e, do bolso de trás do shorts, pegou uma cadernetinha. Viu os ítens que faltava na casa e perguntou se o seu Felipe tinha alguma coisa.
Um lado da mente de Pedro prestou atenção à negociação. O outro ouvia atentamente os sons de fundo do telefone; não raramente, esses sons eram mais interessantes que a própria negociação.
Era como se o menino ouvisse uma concha a beira-mar, mas ao invés do oceano, haviam dezenas de pessoas cochichando ao mesmo tempo. Conversas difusas, risadas, algumas frases ásperas, dialetos estranhos, frases desconexas, palavrões, juras de amor. A transmissão das vozes era feita pelo ar, em paralelo com as ondas de eletricidade, ocasionando um efeito chamado de “bigodeira”. Novamente, a “Revista do Dedetive” foi sua base, mais algumas aulas com seu tio Carlos, técnico em eletrônica e oficial de manutenção de conexões eletro-aéreas.
Essa xeretagemn só era possível quando alguém lhe fazia uma ligação, por motivos complexos demais para que pudesse entender.
Mas uma vez, Pedro ganhou de seu pai uma lição impressa, bastante rara por sinal, com um termo complicado logo na capa: “bio-indução mental sobreposta às ondas de rádio em canais de corrente ionizada”. Ele não entendeu nada do conceito mas gostou do exercício: ele deveria emulsionar ondas mentais sobre o telefone com uma conexão em uma “linha morta” ( ). Quando leu esse termo pela primeira vez, Pedro pensou que tais linhas existissem apenas em cemitérios.
Assim sendo, de vez em quando, quando algum vizinho ou tio se mudava, ele tentava fazer aquele bruxedo telefônico. Apenas em uma única vez ele conseguiu transferir, por breves segundos, sua Consciência para o outro lado da conexão. Seu pai ficou muito satisfeito com seu feito, mas lhe recomendou experimentar melhor quando estivesse com mais idade.
Mas era divertido ouvir a conversa das pessoas, sendo esse um sistema de espionagem severamente punido se utilizado fora das licenças de atuação dos investigadores e paranormais.

Desligou o telefone e desceu do banquinho. Com alguns saltos voltou ao seu lugar de estudo, atrás do balcão.
Nesse balcão, no entra e sai diário, as vezes com pessoas pedindo ajuda a ele e sua família altas horas da noite, Pedro conhecia a vida das pessoas e observava seus pequenos dramas.
Atendeu a dona Cristina que queria alvejante (ela fazia alguns bicos de lavadeira pois estava com uma dívida bem alta, não queria que sua filha se tornasse escrava); a dona Maria Alice que precisava de frutas e legumes para a janta de seu filho Juliano (que trabalha no setor de manutenção predial da parte norte de Aurora, ele chegaria tarde e se deixasse comeria as panelas); o seu Odair, conhecido e respeitado médium do bairro, e um excelente vendedor de meias e calçados que havia se aposentado por merecimento (ele era uma celebridade na comunidade pois fora um dos primeiros moradores de Aurora a receber mensagens do futuro e que foram de vital importância para a implementação da cidade); a mãe do Eduardinho, dona Zuleika, cujo marido açougueiro ensinava ao filho a arte da matança de animais (Pedro não ia com a cara Claudio. Ele era um cara nervoso e arrogante por causa de seu estágio como assassino, mas o que mais incomodava era seu constante e pungente cheiro de bife)...
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sex 11 Mar - 22:59

O começo parece promissor, e o espaço da narrativa é agradável. Gostei dessa ideia de cidades-estado e tal, e o modo como você apresenta certos elementos. Foi boa a ideia de tratar esse bando de criaturas diferentes, como homens de prata, como clientela - tudo em um contexto harmonioso.

Mas isso que é uma qualidade do seu texto, também é o que mais o prejudica, e às vezes o torna até mesmo enfadonho. O problema do Mil Nomes foi esse, por exemplo: vc sacrificava a ação em nome da descrição do seu universo criativa (Uma descrição que às vezes fica enfadonha), quando na verdade deveria haver doses equilibradas de ambos.

Não me soa dinâmico, mas parece se arrastar - como Tolkien, mas no mau sentido. Pois você parece se arrastar pra lugar nenhum. Parece q há um desespero pra mostrar a riqueza de detalhes do universo que vc criou, e isso gera a meu ver uns excessos.

Fora que cabe uma revisão aí.

Dou nota 7, por enquanto.


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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sex 11 Mar - 23:32

Revisão vai ter, óbvio. Mas é apenas a base do texto, uma prévia de por onde eu vou caminhar.

O que pega é o seguinte: eu não faço história de RPG.
Não sou de botar ação, ação, ação.
Não é isso o que me interessa, de momento. Vai rolar, vai rolar PARA CARALHO, mas é preciso seguir um ritmo e ir cozinhando o leitor.

O que eu quero, nesta parte do Pedro, é mostrar onde ele está, o que ele faz, o ambiente em que ele está inserido.
E, principalmente, os clientes e fregueses da "Casa Alcântara".

Porque assim eu vou mostrando ao leitor como é o perosnagem, como é que ele reage, como é seu mundo.
Quem é ele.
E não que força de porrada ele tem.

Mas eu dou umas dicas: o nego véio maconheiro já falou de uma das armas que serão usadas na trama. Eu já falei sobre a hierarquia militarista de Aurora, falei do sistema econômico e joguei a escola no lixo.

Ação não move uma história.

E é preciso que o leitor tenha tempo pra gostar do personagem. E tempo é algo que disponho adoidado, pois aí só temos umas quinze páginas de um livro de QUATROCENTAS PÁGINAS!
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sex 11 Mar - 23:45

B.K. escreveu:
O que pega é o seguinte: eu não faço história de RPG.
Não sou de botar ação, ação, ação.

Aí que você sem engana. O Mil Nomes: Guardião do infinito é um livro de RPG, só falta as regras. Digo isso pelo zelo excessivo que vc coloca na ambientação. Mas não vamos entrar no mérito dessa discussão de novo...

Citação :
Ação não move uma história.

Concordo, mas ela não deve ser de todo ausente.

Dá pra avaliar pouca coisa desse seu trecho.
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B.K.
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sab 12 Mar - 0:13

O Mil Nomes foi idealizado para ter muitas coisas derivativas, inclusive um jogo de tabuleiro (que a patroa já fez os esboços).
Mas o livro é um romance. Ponto.
O cuidado que tive com a ambientação foi só um recurso técnico que o Stephen king usava: ele descrevia até a embalagem de remédio do armário do banheiro!
Eu não chego a tal ponto mas gosto de dar ao leitor uma "visualização" do lugar onde ele está para, depois, deixa-lo com "saudade".

Mas pra bom entendedor, pingo é letra: eu estou mostrando um lugar especial.
Um ambiente especial.
No meio da narrativa eu vou colocando pequenas surpresas.

Sabão de corda. Que porra é essa?
E aquela espada no teto?

Eu sigo a premissa do Além da Imaginação: pego um ambiente comum a qualquer cidade brasileira, a quitanda do bairro, e vou jogando pequenos pedaços de surpresa.

Aquele lance do telefone (magia no dia-a-dia de pessoas comuns), a ausência de escola (porque eu detesto escola), o menino treinando caligrafia, a caixa da fossa séptica (que indica que na cidade não existe coleta de esgoto), haver mais canos de metais do que de plástico, a venda de armas e munições...

E o menino dando pulos feito gafanhoto pra vender maconha pro nego véio aposentado que fazia manutenção de arma elétrica.

No Mil Nomes eu ia ensinando o personagem.
Neste livro, não ensino nada: eu mostro e deixo o leitor se foder!

Pior ainda: eu explico o porquê das coisas serem o que são, explico o porquê da Magia estar em toda parte e haverem tantos seres fantásticos.
Só não faço isso agora.
Tenho tempo.

Ah, sim.
A personagem japonesa que vai contracenar com o Pedro se chama Tsukie. Não fechei o sobrenome porque o meu mano tradutor não encontrou um ideograma legal.
Mas Tsukie em japonês significa "passagem da Lua".
E o Pedro ficará doentiamente apaixonado por ela. O que não agradará a irmã dele nem um pouco.
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sab 12 Mar - 0:34

Legal, BK. Agora fica mais claro. Acho que tem mais que deixar o leitor se foder mesmo, no Mil Nomes você tava muito "didático", e acabou ficando enfadonho algumas partes, citando coisas que não teriam nenhuma função na trama. Pensei q vc ia fazer o mesmo aqui.

(ainda que o universo do menino fosse legal)

Eu curto isso na sua escrita, de descrever bem as coisas, de contar a marca do achocolatado que o garoto bebe ou o nome dos avioezinhos que ele brinca.

Parece promissor.
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sab 12 Mar - 10:22

Mano...
Se eu te preciso explicar tudo, vou acabar precisando colocar no meu texto algum tutorial.

É muito louco. Você é daqueles leitores que precisa ser ensinado.
Daqueles que a gente tem que pegar pela mão e dizer que "olha, isso vai ser assim, eu quero fazer assado, então leia desse jeito que você entende, viu?"

Isso é vício desse maldito RPG.
Tem que ter explicação, tem que ter direcionamento, tem que ter detalhe, tem que ser técnico...

O leitor não precisa pensar, não precisa imaginar, não precisa VIAJAR!

É o mesmo processo mental pelo qual passa o cara que só ouve música eletrônica.
A mente fica blocada.
Mas se ele ouve música indú, ele pira pois não existe linearidade.

Curta a viagem.
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sab 12 Mar - 11:50

Legal, BK.

Vou ler denovo com mais calma logo mais.

Só que a primeira frase do texto eu não gostei muito não.
Nem a primeira e nem a segunda.

Você já joga logo, de sopetão, uma coisa que eu prefiriria descobrir sozinho no decorrer de uns dois parágrafos.
Talvez se essas duas frases fossem suprimidas do texto e essa informação fosse passada de forma mais sutil um pouco mais pra frente, isso poderia aumentar a satisfação de descoberta do leitor.

O texto tá bem fluído. É uma leitura ágil e agradável.
Hã... identifiquei um vício lovecraftiano que havíamos conversado?
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sab 12 Mar - 14:40

Valeu, Jamil.
Mas é mesmo, o começo não está legal. Porque eu focalizei mais o resto da narrativa do que a introdução. Vou consertar isso.

Eu optei por uma narrativa simples porque é o jeito que eu escrevo.
É gostoso ir narrando as coisas com calma, com sossego, batendo um papo com o leitor como se estivesse conversando com um amigo que chegou em casa.

"Olha, isso aqui é meu computador, este é meu vinho italiano, olha que legal este DVD, tenho aqui um disco de vinil que é do tempo do..."

É que a lojinha do Pedro puxa muito meu lado "brasil". Não dá pra ser sorumbático ou pernóstico quando aparece um gato lambendo o saco ou quando temos que mostrar sacas de feijão e arroz.

Quando rolar personagem profundo, complexo ou ambientação tenebrosa, aí a gente vai pro Português mais trabalhado. Mas por enquanto eu quero mais é que o Pedro seja mostrado bem a vontade.

E sim, eu tenho vício Lovecraftiano. Mas estou contornando isso com ritmo.
É difícil pra caralho mas é por aí que eu vou.

O que tá difícil mesmo é criar uma linha de criação que possa identificar o mundo da Morganna do mundo do Mil Nomes.
Eu estou tentando resolver isso ambientando as coisas dela num mundo e conceitos urbanos. Ou seja, eu pego elementos urbanos e despiroco.

Já no Mil Nomes é foda porque estou numa ambientação metafísica completamente nova pra mim, e você não faz idéia de como essa porra é difícil: o Pedro é certinho, o Mil Nomes é demente.

Tô me acabando mas tá ducaralho!
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sab 12 Mar - 16:21

B.K. escreveu:
Mano...
Se eu te preciso explicar tudo, vou acabar precisando colocar no meu texto algum tutorial.

É muito louco. Você é daqueles leitores que precisa ser ensinado.
Daqueles que a gente tem que pegar pela mão e dizer que "olha, isso vai ser assim, eu quero fazer assado, então leia desse jeito que você entende, viu?"

Cara, se liga. Minha crítica foi justamente que você explica DEMAIS!

O Mil Nomes, por exemplo, quase não tem narração: é aquela deusa lá levando o menino pra lá e pra cá, descrevendo: Isso aqui é Alasehir, isso aqui é mimi, isso aqui é bubu, há não-sei-quantos tipos de guardiões, etc. E quando vem a narração, o teu estilo muda de novo! Fica tudo desconjuntado, as peças se sobrepondo sem função e propósito.

"Ah, é que Mil Nomes foi planejado pra ter mídias derivativas". MANO! Quem se importa com isso, senão o autor? O leitor tem interesse em conhecer um universo novo e interessante, claro, mas na medida em que isso influi de algum modo no que ele está lendo. Quando eu lia, ficava pensando: "nossa, como ele vai mexer com todos esses conceitos nas poucas páginas que restam?". Você que fala tanto da Unidade Aristotélica, deixou muito a desejar com esse livro.

Pensei que você faria o mesmo aqui, nesse novo livro.
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Mephisto
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sab 12 Mar - 16:51

SuperSentai Saruman escreveu:
B.K. escreveu:
Mano...
Se eu te preciso explicar tudo, vou acabar precisando colocar no meu texto algum tutorial.

É muito louco. Você é daqueles leitores que precisa ser ensinado.
Daqueles que a gente tem que pegar pela mão e dizer que "olha, isso vai ser assim, eu quero fazer assado, então leia desse jeito que você entende, viu?"

Cara, se liga. Minha crítica foi justamente que você explica DEMAIS!

O Mil Nomes, por exemplo, quase não tem narração: é aquela deusa lá levando o menino pra lá e pra cá, descrevendo: Isso aqui é Alasehir, isso aqui é mimi, isso aqui é bubu, há não-sei-quantos tipos de guardiões, etc. E quando vem a narração, o teu estilo muda de novo! Fica tudo desconjuntado, as peças se sobrepondo sem função e propósito.

"Ah, é que Mil Nomes foi planejado pra ter mídias derivativas". MANO! Quem se importa com isso, senão o autor? O leitor tem interesse em conhecer um universo novo e interessante, claro, mas na medida em que isso influi de algum modo no que ele está lendo. Quando eu lia, ficava pensando: "nossa, como ele vai mexer com todos esses conceitos nas poucas páginas que restam?". Você que fala tanto da Unidade Aristotélica, deixou muito a desejar com esse livro.

Pensei que você faria o mesmo aqui, nesse novo livro.

Saruman, eu discordo com seu ponto de vista de que só o autor se preocupa com as tais mídias derivativas. Hoje em dia ninguem mais simplismente lê ou ve um filme ou o que for, e fica somente nisso, as pessoas procuram o Foro de São Paulo, facebook, site, produtos relacionados a obra. E quanto mais completo for o mundo, maior a possibilidade de que o autor busque novos caminhos. George Lucas deixou milhares de pontas abertas em seu Star Wars, por isso ele vende até hoje.

Outro ponto é que a maioria dos livros comerciais de hoje em dia, de Crepusculo a Batalha do Apocalipse, passando por Harry Potter e os livros do André Vianco, te entregam tudo de mão beijada, como um programa de televisão, você não precisa pensar em nada. Pelo que eu vi, o BK quer que você use sua cabeça, começe a pensar de verdade, busque algo além do que está escrito...

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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Sab 12 Mar - 17:49

Citação :
Saruman, eu discordo com seu ponto de vista de que só o autor se preocupa com as tais mídias derivativas. Hoje em dia ninguem mais simplismente lê ou ve um filme ou o que for, e fica somente nisso, as pessoas procuram o Foro de São Paulo, facebook, site, produtos relacionados a obra. E quanto mais completo for o mundo, maior a possibilidade de que o autor busque novos caminhos. George Lucas deixou milhares de pontas abertas em seu Star Wars, por isso ele vende até hoje.

Eu concordo com você nesse ponto, pelo menos em parte.

Também fiquei curioso, quando terminei de ler o Mil Nomes, sobre o universo a respeito, gostaria de saber mais. Mas, cara, o problema do Mil Nomes não é que ele tenha sido planejado pra ter mídias derivativas, mas justamento o fato de ter sido planejado pra isso e não ter nenhuma!

Comparando com Star Wars (mas me corrija se eu estiver errado por favor) eu noto o contrário do que vejo em Mil Nomes. No primeiro, você tem o enredo e os personagens, sobre os quais o universo é construído. Você sabe, digamos, que existe a "Força", e porra, você não se importa com a origem da Força, não quer saber de Midchlorians e o caralho a quatro...você sabe que existe, sabe que funciona, fechou. Você não precisa saber da origem dos conflitos entre Sith e Jedi, nem pq Darth Vader é tão malvado.

Já no Mil Nomes, eu não preciso saber que existem sei lá quantos guardiões, Mercúrios, Súcubos, Íncubos...tudo isso é muito interessante e eu concordo. Mas, pra mim, o BK se perde nesse delírio psicodélico dele, e às vezes carrega demais nas descrições, ansioso pra mostrar sua criação.

O Universo precede a ambientação: fascinante sim, mas rouba a cena dos personagens. Que quando de fato vão fazer alguma coisa (Héctor x Héctor) acaba saindo insosso, pq o garotinho não passa nada além daquela carga trágica que tinha quando morreu.

Citação :
Outro ponto é que a maioria dos livros comerciais de hoje em dia, de Crepusculo a Batalha do Apocalipse, passando por Harry Potter e os livros do André Vianco, te entregam tudo de mão beijada, como um programa de televisão, você não precisa pensar em nada. Pelo que eu vi, o BK quer que você use sua cabeça, começe a pensar de verdade, busque algo além do que está escrito...

Não li nenhum desses livros que você diz, mas ao meu ver a literatura tem como função mexer com a pessoa, se não provoca nenhuma emoção ou não faz pensar então não vale a pena.
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Mohamed
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Dom 13 Mar - 1:37

Bk Isso é Brasil moderno com elementos de interior póscolonial e estrapolação tecnológica de propriedades elétricas.

É um tipo de Steampunk.

Você conhece os trabalhos das comunidades steampunk brasileiras?
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Dom 13 Mar - 4:18

Mephisto escreveu:
Pelo que eu vi, o BK quer que você use sua cabeça, começe a pensar de verdade, busque algo além do que está escrito...

Precisamente.
Eu acredito que, hoje em dia, as coisas estejam muito fáceis. Tudo é entregue mastigadinho, sem que se peça ao leitor que ele queime um pouco de massa encefálica.
Eu tento ir na contra-mão dessa "tendência". Não foi necessariamente o caso do Mil Nomes que eu tive que condensar meu texto, senão o livro não sairia e eu tinha que lidar com um espaço limitado.

Porém, cada artista segue uma vontade: alguns querem facilitar (tornando o texto burro), outros querem complicar (tornando o texto inacessível).
Eu não quero nem uma coisa, nem outra.
Só quero que neguinho dê uma bela viajada com meu texto.
SuperSentai Saruman escreveu:
Também fiquei curioso, quando terminei de ler o Mil Nomes, sobre o universo a respeito, gostaria de saber mais. Mas, cara, o problema do Mil Nomes não é que ele tenha sido planejado pra ter mídias derivativas, mas justamento o fato de ter sido planejado pra isso e não ter nenhuma!

Uai! Tanto melhor!
Porque é interessante, senão admirável, que um autor pequeno feito eu já tenha antecipado tendências e colocado, em seu (meu) trabalho essas possibilidades, esses eventuais desdobramentos.
Porque em 100% dos casos dos escritores, eles não pensam em nada além do livro.
É aquilo ali e acabou. No máximo se pensa em filme, com sequências ideais pra isso e fim de papo.

Se eu consegui planejar o livro para a eventualidade dessas mídias decorrentes... Tanto melhor!

Modestíssima a parte, isso é ter visão.
Se amanhã gerar isso ou aquilo, tanto faz, porque HOJE o livro cai como uma luva para essas tendências pois, de novo, ninguém no Brasil pensa nisso.

Ponto pro Mil Nomes!

Citação :
Já no Mil Nomes, eu não preciso saber que existem sei lá quantos guardiões, Mercúrios, Súcubos, Íncubos...tudo isso é muito interessante e eu concordo. Mas, pra mim, o BK se perde nesse delírio psicodélico dele, e às vezes carrega demais nas descrições, ansioso pra mostrar sua criação.

Não dá pra você fazer beicinho porque "ah, não saiu como eu queria, poderia ter sido assim, assim, assado."

Eu sei que você vem do RPG, sei que você vem de um segmento acomodado, mimado e birrento que quer porquê quer que as coisas sejam, assim e assado.

Mas perceba uma coisa: os meus livros não se encaixam nessa categoria de "servir ao público".
Sim, aparentemente ele segue essa tendência, mas não é a MINHA filosofia.

Porque-eu-faço-ARTE!
E a Arte segue premissas próprias, premissas únicas e que devem ser avaliadas "de per si" e não apenas pela visão comercial.

Mesmo porque eu preciso de um espaço de manobra pra DESAGRADAR o leitor.
Eu preciso de um espaço pra poder me mover e fazer coisas que normalmente um autor não faria.

A princípio eu quero agradar o leitor, mas lhe oferecendo a minha Arte.
E não a minha subserviência.

Citação :
O Universo precede a ambientação: fascinante sim, mas rouba a cena dos personagens. Que quando de fato vão fazer alguma coisa (Héctor x Héctor) acaba saindo insosso, pq o garotinho não passa nada além daquela carga trágica que tinha quando morreu.

Mas era pra roubar mesmo!

O autor fez o que pode com os personagens, dentro do limite disponível de tempo, espaço e possibilidades.
Daí ele se ateve onde mais lhe interessava: a descrição do universo ficcional para, assim, lançar as bases de futuros trabalhos, de futuras explorações.
Não dá pra chegar entrando com os dois pés na porta e arregaçar com tudo.
Foi preciso moderação e enfoque naquilo que o autor queria dizer, e não aquilo que o leitor desejava.

Eu também achei que a participação do Hector foi meio sem graça.

Mas puxa vida, ele tem TANTO a aprender em tão pouco tempo, que é plausível que ele se torne uma figura neutra e contemplativa até certo ponto...

Quando, de repente, ele puxa da manga segredos que nem ele sabia, atuando de maneira completamente inesperada como, por exemplo, ele transando com o Id da mãe.

Porra, peraí.
O moleque morre, vai pro paraíso, sai de lá, ascende ao Supra Mundo, vira super-herói, sai por aí com duas meninas e uma nave-espacial que é uma casa, dá um help pro Parafuso, vai na mente da mãe, transa com ela, expulsa as legiões do Homem Igreja, encontra seu Eu do futuro...

Muitas vezes um personagem não precisa meter a mão na massa e sair batendo em todo mundo.
Ele é levado a tomar atitudes que nem mesmo ele sabe ao certo o que é.

Eu gosto disso, gosto de surpreender a mim mesmo e fazer com que o personagem aja de maneira completamente imprevisível.

Acho que esse é o charme do Mil Nomes. Não dá pra saber o que vai acontecer com ele pois o autor vai aprontar alguma coisa.

Citação :
Não li nenhum desses livros que você diz, mas ao meu ver a literatura tem como função mexer com a pessoa, se não provoca nenhuma emoção ou não faz pensar então não vale a pena.

Aí vai do gosto do freguês.
Tem gente que leu e não sentiu nada, tem gente que leu e se arregaçou...

Eu fui um desses que se mijou todo de alegria.
Não porque o texto está tecnicamente bom. Não está. Está péssimo.
Não porque está bem escrito. Não está, ibidem.

Mas eu vejo TANTOS méritos no Mil Nomes, a começar pela idéia em si, pelo Supra Mundo e, especialmente, pelas esposas dele.

Eu queria ter tido mais páginas pra descrever as imagens que o Mil Nomes tem ao tocar a chinezinha, como foi seu encontro com ela no meio do arrozal, ela toda estrupiada, com ele levando-a para o templo budista onde ela morreu... E ele foi atrás dela...

Eu queria ter tido mais páginas pra contar sobre a Prahna, quando ela é trucidada por si mesma (minha mulher se recusou a fazer o desenho dela em chamas, por ter dó demais da personagem)...

Quem sabe eu reescreva esse livro algum dia, tipo como fez o Jorginho Lucas com Star Wars.

Mas por enquanto, eu quero mais é dar prosseguimento às histórias dele, nos capítulos subsequentes ao primeiro livro.

Preciso mostrar como se faz pois eu só falo demais! Ih! Rimô!
Mohamed escreveu:
Bk Isso é Brasil moderno com elementos de interior póscolonial e estrapolação tecnológica de propriedades elétricas.

É um tipo de Steampunk.

É verdade. O meu amigo Icaro me alertou sobre isso.
Eu nem fazia idéia de que estava indo nessa direção mas te garanto que é mera coincidência.
Pois eu quero rever algumas coisas do Brasil. E, para isso, eu preciso me ater a certos elementos tecnológicos que sirvam para desencadear uma trama interessante e convincente.

Citação :
Você conhece os trabalhos das comunidades steampunk brasileiras?

Eu vi alguma coisinha, tipo balões nos tempos do Império e tal, discos voadores movidos a vapor, essas coisas.

Achei fraco e burro porque sempre me parece ser um texto laudatório de um lado, insípido do outro.
Os caras querem ir logo na parte em que colocam as máquinas pra funcionar e tal.

Já eu não entro (muito) na questão de tecnologia, apesar dela ser vital à história, porque me interessa mais o drama dos personagens.
Seus sentimentos, suas alegrias, dores, desejos, posturas.
A tecnologia vai ter seu lugar mas o que pega é o cara que faz uso da bagaça. E não a bagaça em si.

(se bem que, cá entre nós, eu estou tendo umas idéias muito doidas como, por exemplo, a utilização do Aquífero Guarany como meio de transporte para as tropas. Tô chupinhando Stingray, só que em São Paulo!)
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Dom 13 Mar - 11:45

Essa linha do BK, de fazer o leitor pensar, queimar os neurônios para imaginar o universo ao invés de estar mastigadinho eu acho maneira.

Escrevi uma fan fiction de Ragnarök nesses moldes.
As reações foram oito ou oitenta.

Ou neguinho(a) e branquinho(a) melava a cueca/calcinha de tanto orgasmo literário.
Ou neguinho(a) e branquinho(a) queria ir na minha casa me matar por ter "violado as regras do texto.

Perdôe-me se parecer puxa saco novamente, mas acho não só o estilo literário do BK válido como também uma alternativa ao que temos hoje: textos porcos presumindo que o público é imbecil ou textos altamente eruditos que presume que o público é douto em língua portuguesa.
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Dom 13 Mar - 12:12

Kerdied escreveu:
Escrevi uma fan fiction de Ragnarök nesses moldes.
As reações foram oito ou oitenta.

Cria um tópico e posta ae pra nóis.
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Dom 13 Mar - 16:31

B.K. escreveu:

Uai! Tanto melhor!
Porque é interessante, senão admirável, que um autor pequeno feito eu já tenha antecipado tendências e colocado, em seu (meu) trabalho essas possibilidades, esses eventuais desdobramentos.
Porque em 100% dos casos dos escritores, eles não pensam em nada além do livro.
É aquilo ali e acabou. No máximo se pensa em filme, com sequências ideais pra isso e fim de papo.

Se eu consegui planejar o livro para a eventualidade dessas mídias decorrentes... Tanto melhor!

Modestíssima a parte, isso é ter visão.
Se amanhã gerar isso ou aquilo, tanto faz, porque HOJE o livro cai como uma luva para essas tendências pois, de novo, ninguém no Brasil pensa nisso.

Ponto pro Mil Nomes!

Fazendo uma analogia, é como se Senhor dos Aneis se encerrasse no primeiro livro, A Sociedade do Anel e nada mais viesse depois.

Citação :
Não dá pra você fazer beicinho porque "ah, não saiu como eu queria, poderia ter sido assim, assim, assado."

Eu sei que você vem do RPG, sei que você vem de um segmento acomodado, mimado e birrento que quer porquê quer que as coisas sejam, assim e assado.

Mas perceba uma coisa: os meus livros não se encaixam nessa categoria de "servir ao público".
Sim, aparentemente ele segue essa tendência, mas não é a MINHA filosofia.

Porque-eu-faço-ARTE!
E a Arte segue premissas próprias, premissas únicas e que devem ser avaliadas "de per si" e não apenas pela visão comercial.

Mesmo porque eu preciso de um espaço de manobra pra DESAGRADAR o leitor.
Eu preciso de um espaço pra poder me mover e fazer coisas que normalmente um autor não faria.

A princípio eu quero agradar o leitor, mas lhe oferecendo a minha Arte.
E não a minha subserviência.

Não coloquei em questão o fato de agradar ou desagradar o leitor. Aliás, mesmo se desagrada, o autor já obteve seu intento, já provocou uma reação no seu leitor. Particularmente, me agrada a descrição do universo do Mil Nomes. Me agradam certas coisas que você coloca lá, como o Senhor das Máquinas. Não me agrada o estilo, o modo como isso é passado: dava pra separar o livro em pelo menos dois momentos, duas partes. Uma prescinde da outra. A partir do capítulo em que ele sai viajando em sua nave, já é outro livro e tudo aquilo que veio antes pode ser ignorado, pq não faz parte da trama.

Não há um encadeamento lógico, você vai jogando as coisas. E o protagonista é quem se dá mal: ele não parece ter propósito nenhum, em nenhum momento dá pra entender o que ele quer agora que virou um super-herói, só é um observador passeando por um mundo bem construído. Ele não parece ter nenhuma convicção a não ser "nasci pra sempre fazer isso". Ele não passa carisma.


Citação :
O Universo precede a ambientação: fascinante sim, mas rouba a cena dos personagens. Que quando de fato vão fazer alguma coisa (Héctor x Héctor) acaba saindo insosso, pq o garotinho não passa nada além daquela carga trágica que tinha quando morreu.

Mas era pra roubar mesmo!

O autor fez o que pode com os personagens, dentro do limite disponível de tempo, espaço e possibilidades.
Daí ele se ateve onde mais lhe interessava: a descrição do universo ficcional para, assim, lançar as bases de futuros trabalhos, de futuras explorações.
Não dá pra chegar entrando com os dois pés na porta e arregaçar com tudo.
Foi preciso moderação e enfoque naquilo que o autor queria dizer, e não aquilo que o leitor desejava.

Eu também achei que a participação do Hector foi meio sem graça.

Mas puxa vida, ele tem TANTO a aprender em tão pouco tempo, que é plausível que ele se torne uma figura neutra e contemplativa até certo ponto...

Quando, de repente, ele puxa da manga segredos que nem ele sabia, atuando de maneira completamente inesperada como, por exemplo, ele transando com o Id da mãe.

Porra, peraí.
O moleque morre, vai pro paraíso, sai de lá, ascende ao Supra Mundo, vira super-herói, sai por aí com duas meninas e uma nave-espacial que é uma casa, dá um help pro Parafuso, vai na mente da mãe, transa com ela, expulsa as legiões do Homem Igreja, encontra seu Eu do futuro...

Muitas vezes um personagem não precisa meter a mão na massa e sair batendo em todo mundo.
Ele é levado a tomar atitudes que nem mesmo ele sabe ao certo o que é.

Eu gosto disso, gosto de surpreender a mim mesmo e fazer com que o personagem aja de maneira completamente imprevisível.

Acho que esse é o charme do Mil Nomes. Não dá pra saber o que vai acontecer com ele pois o autor vai aprontar alguma coisa. [/quote]

O problema é esse, nem é o fato do Héctor não sair por aí batendo em todo mundo e metendo a mão na massa, mas o fato dele ser neutro demais. Ele não é "contemplativo". Não se sabe o que ele sente, ele é só uma esponja recebendo o que aquele novo mundo oferece. Quase que totalmente passivo ao mundo, nada o choca, nada o abala, e ele ainda está vivendo a maior de suas experiências.


Citação :
Aí vai do gosto do freguês.
Tem gente que leu e não sentiu nada, tem gente que leu e se arregaçou...

Eu fui um desses que se mijou todo de alegria.
Não porque o texto está tecnicamente bom. Não está. Está péssimo.
Não porque está bem escrito. Não está, ibidem.

Mas eu vejo TANTOS méritos no Mil Nomes, a começar pela idéia em si, pelo Supra Mundo e, especialmente, pelas esposas dele.

Eu queria ter tido mais páginas pra descrever as imagens que o Mil Nomes tem ao tocar a chinezinha, como foi seu encontro com ela no meio do arrozal, ela toda estrupiada, com ele levando-a para o templo budista onde ela morreu... E ele foi atrás dela...

Eu queria ter tido mais páginas pra contar sobre a Prahna, quando ela é trucidada por si mesma (minha mulher se recusou a fazer o desenho dela em chamas, por ter dó demais da personagem)...

Quem sabe eu reescreva esse livro algum dia, tipo como fez o Jorginho Lucas com Star Wars.

Mas por enquanto, eu quero mais é dar prosseguimento às histórias dele, nos capítulos subsequentes ao primeiro livro.

Eu gosto da ideia do Mil Nomes. É extremamente criativa, mas peca na execução, faltou técnica pra demonstrar todo esse universo, todas essas ideias, de modo mais coerente, sem fazer do livro uma coisa tão fragmentada.
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SuperSentai Saruman
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Dom 13 Mar - 21:57

Agora que eu vi, saiu confuso um dos meus comentários. Se fosse possível editar, editava:

BK escreveu:
Mas era pra roubar mesmo!

O autor fez o que pode com os personagens, dentro do limite disponível de tempo, espaço e possibilidades.
Daí ele se ateve onde mais lhe interessava: a descrição do universo ficcional para, assim, lançar as bases de futuros trabalhos, de futuras explorações.
Não dá pra chegar entrando com os dois pés na porta e arregaçar com tudo.
Foi preciso moderação e enfoque naquilo que o autor queria dizer, e não aquilo que o leitor desejava.

Eu também achei que a participação do Hector foi meio sem graça.

Mas puxa vida, ele tem TANTO a aprender em tão pouco tempo, que é plausível que ele se torne uma figura neutra e contemplativa até certo ponto...

Quando, de repente, ele puxa da manga segredos que nem ele sabia, atuando de maneira completamente inesperada como, por exemplo, ele transando com o Id da mãe.

Porra, peraí.
O moleque morre, vai pro paraíso, sai de lá, ascende ao Supra Mundo, vira super-herói, sai por aí com duas meninas e uma nave-espacial que é uma casa, dá um help pro Parafuso, vai na mente da mãe, transa com ela, expulsa as legiões do Homem Igreja, encontra seu Eu do futuro...

Muitas vezes um personagem não precisa meter a mão na massa e sair batendo em todo mundo.
Ele é levado a tomar atitudes que nem mesmo ele sabe ao certo o que é.

Eu gosto disso, gosto de surpreender a mim mesmo e fazer com que o personagem aja de maneira completamente imprevisível.

Acho que esse é o charme do Mil Nomes. Não dá pra saber o que vai acontecer com ele pois o autor vai aprontar alguma coisa.

O problema é esse, nem é o fato do Héctor não sair por aí batendo em todo mundo e metendo a mão na massa, mas o fato dele ser neutro demais. Ele não é "contemplativo". Não se sabe o que ele sente, ele é só uma esponja recebendo o que aquele novo mundo oferece. Quase que totalmente passivo ao mundo, nada o choca, nada o abala, e ele ainda está vivendo a maior de suas experiências.


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B.K.
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Seg 14 Mar - 11:22

Cada um vê uma coisa, cada leitor vê o que bem entende. Esse é o barato do livro, a opinião do autor pode nãon ter a menor relação com porra nenhuma pois... O leitor vê o que entende.

Mas já que eu tenho que ensinar você a pensar, encare isto: o personagem passou por um processo de aceitação.
Ele aceita tudo porque a Vida (Prahna) lhe deu toda a segurança possível, impedindo-o de enlouquecer.
Ele fica chocado mas está num estado de reencontro e readaptação, ao mesmo tempo que por mais que as coisas sejam insandecidas...

É o mundo dele.

Mas falando em cartões, olhem só os preços dos cards especiais:

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Não é caro e dá pra brincar bastante.
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Mohamed
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Ter 15 Mar - 20:20

Eu achei esse universo fascinante.

Cada pequeno detalhe revelado é cheio de possibilidades.
Possibilidades que fazem com que eu tire os olhos do texto e fique viajando

Talvez por isso a parte da mercearia tenha ficado um pouco detalhado demais.
O local é familiar ao protagonista e você quer passar pro leitor essa familiaridade.
Talvez você pudesse enfatizar isso de outra forma.

Você pode enfatizar que o protagonista acha suas atividades enfadonhas.
A forma em que ela alterna sua atenção da lição para os objetos do armarinho
E você vai desenvolvendo a personalidade dele pelo que ele pensa das coisas à sua volta e da sua situação.
Então aparece o silver guy pra quebrar a monotonia do ambiente.

Estou só supondo, calro.
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B.K.
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MensagemAssunto: Re: EXCLUSIVO! Prévia do Livro da Morganna!   Ter 15 Mar - 23:03

Mohamed escreveu:
Eu achei esse universo fascinante.

E é fascinante por um único motivo: A GENTE SE IDENTIFICA!
Mas não é uma identificação forçada, apelativa, nojenta, panfletária.

São coisas simples, do nosso dia-a-dia, de qualquer brasileiro urbano e que nos bate a identificação no ato...
Ao mesmo tempo em que entra o elemento fantástico.

Citação :
Cada pequeno detalhe revelado é cheio de possibilidades.
Possibilidades que fazem com que eu tire os olhos do texto e fique viajando

Esse é o lance bacana do estilo do texto que lida mais com a narrativa visual e menos na descrição dos sentimentos dos personagens.
Isso vai acontecer, claro, mas não neste momento.

É legal visitar lugares que existem em outros universos.

Citação :
Talvez por isso a parte da mercearia tenha ficado um pouco detalhado demais.
O local é familiar ao protagonista e você quer passar pro leitor essa familiaridade.
Talvez você pudesse enfatizar isso de outra forma.

É detalhado porque é mente do menino.
Da mesma forma que no Mil Nomes, a "Casa Alcântara" é uma representação da mente do Pedro. Não um reflexo completo, claro, mas um símbolo das coisas que ele vive, das coisas que ele lida, convive, consome, aprende...

É a vida dele. E não dá pra falar da vida de alguém sem falar do lugar em que ele mora, do lugar em que ele trabalha e das pessoas que convive.

Citação :
Você pode enfatizar que o protagonista acha suas atividades enfadonhas.
A forma em que ela alterna sua atenção da lição para os objetos do armarinho
E você vai desenvolvendo a personalidade dele pelo que ele pensa das coisas à sua volta e da sua situação.
Então aparece o silver guy pra quebrar a monotonia do ambiente.

Estou só supondo, calro.

O Pedro ama tudo o que faz.
Porque, pra ele, não existe escola.
A escola é a sua casa.
O ensinamento vem de todos, das pessoas que compram pão, dos "tios" que lhe ensinam profissões, das revistas, dos amigos, do pai e da irmã.

Eu até que pensei em tornar alguma coisa chatinha, pra lhe despertar o desejo de sair dali mas...
Não consegui.
Porque é tudo idílico demais, certinho demais, e ele está como um peixe no rio.

A idéia é essa, tornar o personagem o ser mais feliz e realizado de todos os tempos...

Para depois joga-lo na merda.
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